DIAGNÓSTICO SITUACIONAL DE MPCG

O diagnóstico situacional de MPCG é imprescindível para planejar ações de manejo populacional de cães e gatos humanitárias e sustentáveis nos municípios, além de possibilitar o norteamento do destino de recursos para a promoção da Saúde Única. Quando se tem uma população como variável de interesse, o ponto de partida consiste na sua caracterização e, por conseguinte, no delineamento de indicadores que determinam a necessidade de intervenção. Existem inúmeras características que podem ser avaliadas em uma população canina e felina, portanto, a escolha de quais devem ser mensuradas depende do intuito do programa de manejo que se objetiva implementar no município.

A investigação acerca da situação em que se encontra a população de cães e gatos em uma comunidade deve incluir parâmetros demográficos, epidemiológicos e análises sociológicas que explicitem como a população local avalia os problemas existentes e as possíveis soluções. É uma análise ampla que precisa considerar o comportamento humano, visto que é ele que determina o grau de bem-estar canino e felino, a origem dessa população de animais excedente, o tamanho e a dinâmica populacional.

O diagnóstico inicial também deve incluir quem são os atores envolvidos, quais as legislações e políticas públicas existentes e os recursos humanos e econômicos que serão empregados para estabelecer o programa de manejo em curto, médio e longo prazo. Vale ressaltar que um erro recorrente de gestores é replicar modelos de outras localidades, contudo não existe modelo único de manejo populacional e daí entende-se a importância de conhecer a própria realidade e estabelecer um plano local.

A investigação prévia e conhecimento da população humana e animal são imprescindíveis para definir as estratégias para um programa de manejo efetivo, podendo-se utilizar inúmeras estratégias para mensurar e entender a dinâmica populacional canina e felina, como o censo casa a casa ou amostral para contagem de animais domiciliados.

Posteriormente à realização do diagnóstico inicial, deve-se definir meta, objetivos, problemas, necessidades de recursos humanos e financeiros, legislação e elaborar um programa de Manejo Populacional com ações de curto, médio e longo prazo. Deste modo, se estabelece um cronograma e as responsabilidades de cada profissional, além de formas eficazes de monitoramento e avaliação. Caso todo o processo não seja realizado de forma ideal, ocorrerão gastos de recursos públicos sem obtenção de resultados efetivos e torna-se impossível planejar, obter indicadores, estabelecer metas, monitorar e avaliar.

 

REFERÊNCIAS

  1. Gebara RR. Como iniciar um programa de manejo populacional de cães e gatos. In: GARCIA, Rita de Cássia (Org.). Medicina Veterinária do Coletivo: Fundamentos e Práticas. São Paulo: Ed. Integrativa Vet. 2019. p. 187-190.
  2. Baquero OS, Ferreira F. Dinâmica e manejo populacional. In: GARCIA, Rita de Cássia (Org.). Medicina Veterinária do Coletivo: Fundamentos e Práticas. São Paulo: Ed. Integrativa Vet. 2019. p. 194.
  3. Proteção Animal Mundial. (2017). Manejo Humanitário de cães. Disponível em: https://www.worldanimalprotection.org.br/sites/default/files/media/br_files/manejo_humanitario_de_caes_wap_portugues_pg2_alta.pdf. Acesso em: 18 de Março de 2021.
Legislações de manejo populacional: Uma linha do tempo da evolução brasileira.