Entendendo a dinâmica populacional: uma breve introdução

Quando falamos sobre manejo populacional de cães e gatos de uma determinada área, muitas questões são essenciais para sua elaboração e efetivação. É necessária uma equipe de profissionais e de representantes da própria comunidade para diagnosticar, planejar e monitorar cada ação desenvolvida. Para isto, o ponto de partida está em considerar a dinâmica dessa população, isto é, o estudo da quantidade de cães, gatos, pessoas, suas determinadas situações, níveis de bem-estar e demais informações conforme a demanda dessa população e o objetivo em manejá-la, levando em consideração que o manejo populacional vai muito além do controle de superpopulação animal, visto que seu objetivo é promover saúde para os animais, pessoas e ambiente, agindo de acordo com as necessidades destes.

Mas porque é importante estimar a população de cães e gatos em um programa de manejo populacional? Segundo o World Animal Protection, existem três razões básicas para estimar a população:

A primeira, é avaliar a necessidade de uma intervenção naquela população, há problemas ambientais devido a superpopulação dos animais de rua? Quais as principais questões de bem-estar desses animais? Quais as principais doenças infectocontagiosas e zoonóticas dessa população? O que está sendo feito e de quem é a responsabilidade sobre os problemas encontrados?

A segunda, é planejar uma intervenção, e é aí que entra a mensuração da dinâmica populacional, nesse momento, a equipe passa a pensar quais as melhores formas para aferir a quantia de animais daquele local, através de indicadores, estimativas e/ou aplicando questionários para a população humana, a fim de determinar quais fatores são mais significativos para a existência e manutenção da população e das suas problemáticas, e, qual o tipo e o tamanho da intervenção necessária. Muitos são os indicadores que podem ser explorados na dinâmica populacional, como nº de cães não domiciliados/semidomiciliados, razão macho/fêmea, idade, nº de esterilizados, vacinados, com controle de endo e ectoparasitas, etc. A escolha desses indicadores dependerá do objetivo do manejo populacional, buscando um plano claro com relação ao que o programa se determina a alcançar e, porque, e como, a intervenção atingirá isso.

E a terceira, é avaliar a intervenção, já em andamento, de maneira em que todos os envolvidos sejam consultados e as ideias e recomendações sejam ouvidas, para que se possa entender se as ações desenvolvidas estão sendo efetivas e quais as adequações necessárias. Nesse processo, é importante salientar tanto os problemas, quanto os sucessos da intervenção, os quais devem ser vistos como oportunidade de melhorar o programa.

Abordando corretamente a dinâmica populacional, é possível entender de maneira fidedigna quais são as problemáticas do local, visto que as necessidades de uma comunidade “a” são diferentes de uma comunidade “b”, mesmo se tratando de uma mesma cidade ou distrito. Sem a dinâmica populacional, um programa e seu investimento podem parecer bons e na realidade estarem sendo ineficientes, levando a perda dos recursos investidos. Pois, apenas com dados de qualidade, avaliando e estudando uma população, é possível conhecer as diferenças do território e identificar suas prioridades para planejar e monitorar ações efetivas a curto, médio e longo prazo.

Escrito por: Carolina Geraldi

Revisão: Ana Liz Bastos

Referências:

BAQUERO, O; FERREIRA, F. Dinâmica e manejo populacional. In: GARCIA, R; CALDERÓN, N; BRANDESPIM, D 2019. Medicina Veterinária do Coletivo: fundamentos e práticas. 1 Ed. São Paulo: Editora Integrativa Vet, 2019. Cap 2, p 194-199.

GEBARA, R. Como iniciar um programa de manejo populacional de cães e gatos?. In: GARCIA, R; CALDERÓN, N; BRANDESPIM, D 2019. Medicina Veterinária do Coletivo: fundamentos e práticas. 1 Ed. São Paulo: Editora Integrativa Vet, 2019. Cap 2, p 187-193.

INTERNATIONAL COMPANION ANIMAL MANAGEMENT COALITION. ASSESS, DESIGN AND EVALUATE: In: ICAM 2019. Humane Dog Population Management Guidance. 2 Ed. Cap. 2, p. 21-31.

INTERNATIONAL COMPANION ANIMAL MANAGEMENT COALITION. The DPM System. In: ICAM 2019. Humane Dog Population Management Guidance. 2 Ed. Cap. 3, p. 31- 78.

WORLD ANIMAL PROTECTION. Estimando as populações caninas: um guia metodológico.

Registro e Identificação de Cães e Gatos (MPCG)
Legislações de manejo populacional: Uma linha do tempo da evolução brasileira.