Abrigos são locais que reúnem animais em um espaço delimitado, seja para a proteção dos animais, seja para a proteção dos seres humanos e para a vigilância epidemiológica das doenças, como em centros de controle de zoonoses (CCZ), unidades de vigilância em zoonoses (UVZ) ou canis e gatis públicos.

A medicina de abrigos tem como objetivo promover o manejo populacional de cães e gatos em áreas urbanas (MPCG), sustentável e ético, e promover a reabilitação e ressocialização dos animais abandonados para que sejam reintroduzidos na sociedade por meio da adoção responsável.

Podemos dividir em duas grandes áreas: políticas externas, relacionadas com as estratégias para o MPCG existentes no território e que impactam diretamente o abrigo; políticas internas, demandadas para a promoção de bons níveis de bem-estar dos animais abrigados, diminuição do tempo de manutenção e adoções monitoradas.

Como é a vida no abrigo?

O ambiente de abrigo apresenta características desafiantes: populações animais flutuantes e transitórias; animais de origem e histórico desconhecidos; animais não vacinados; e elevada densidade populacional. Os animais que vivem em abrigos enfrentam o estresse devido ao confinamento; grupos heterogêneos e manejo inadequado; alta densidade; falta de enriquecedores ambientais e o não suprimento das necessidades básicas comportamentais.

Como consequência, a fragilização da imunidade e do seu bem-estar, favorecendo doenças físicas e psicológicas. Diante de tantos desafios, a medicina de abrigos (MA) exige conhecimentos em diversas áreas, principalmente na medicina veterinária preventiva.

Os abrigos devem funcionar como casas de passagem, aplicando os 4 Rs dos programas de MPCG: resgate seletivo, recuperação, ressocialização e reintrodução na sociedade. Esses objetivos serão alcançados se o abrigo tiver políticas internas rígidas, implementadas ao longo do tempo com o conhecimento do histórico das doenças, com estrutura física adequada, recursos humanos capacitados e investimento nas ações preventivas e na promoção da adoção.

→ As políticas internas do abrigo envolvem manejo interno das suas populações relacionado com a capacidade de cuidados;
→ Estrutura física e fluxos adequados (divisão e distribuição das áreas físicas, fluxo de animais e pessoas);
→ Programas preventivos (protocolos de limpeza e higienização);
→ Protocolos de admissão (triagem e recepção), protocolos de vacinação, controle de endo e ectoparasitas e de manejo nutricional);
→ Cuidados com a saúde (monitoramento diário, controle da dor, cuidados médicos básicos e emergenciais;
→ Protocolos para enfrentamento de doenças e surtos; etologia (avaliação, monitoramento e modulação comportamental);
→ Gerenciamento de recursos humanos; como se relacionar com políticos, gestores e público em geral; vigilância epidemiológica e controle de zoonoses; entre outras atividades.